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Ajustes na sua loja para acompanhar o crescimento dos felinos
28/08/2026
28/08/2026
O gato é a espécie que mais cresce no Brasil: o que isso muda na prateleira do seu pet shop
Por muito tempo o varejo pet brasileiro foi organizado em torno do cão. O gato ocupava uma ponta da gôndola, com pouca variedade e quase nenhuma segmentação. Esse desenho está ficando velho. Os dados mais recentes do setor mostram que o felino é a espécie que mais cresce no país, e esse movimento já começou a cobrar uma resposta de quem compra, expõe e vende ração.
1. Os números mostram uma mudança estrutural, não uma moda
A Abempet aponta que o Brasil já reúne 33,3 milhões de felinos, contra 32,2 milhões no levantamento anterior, enquanto a população canina é estimada em 62,5 milhões. Somando todas as espécies, o país chega a 166,8 milhões de animais de estimação e ocupa a terceira posição no ranking mundial. Revistabichos
A Abempet aponta que o Brasil já reúne 33,3 milhões de felinos, contra 32,2 milhões no levantamento anterior, enquanto a população canina é estimada em 62,5 milhões. Somando todas as espécies, o país chega a 166,8 milhões de animais de estimação e ocupa a terceira posição no ranking mundial. Revistabichos
O ponto relevante não é o número absoluto, é o ritmo. No levantamento referente a 2024, os felinos saltaram de 30,8 para 32,2 milhões, uma alta de 4,5% que representa praticamente o dobro da média mundial da categoria, enquanto os cães cresceram 2,37%. Mantido esse ritmo, o Brasil pode ultrapassar 40 milhões de gatos até 2030. Petfood Forum BrasilPanorama PetVet
2. O motor do crescimento é urbano
A explicação está menos no gosto e mais na planta do imóvel. A verticalização das cidades, a redução do tamanho das moradias e rotinas mais intensas favorecem a escolha por animais independentes e adaptáveis a espaços compactos. Os felinos se ajustam melhor a apartamentos e à rotina de quem passa o dia fora, e por isso ganham terreno principalmente nos grandes centros. Panorama PetVetAnimaldeestimacao
Para o lojista, isso significa que o crescimento não está distribuído por igual. Bairros com verticalização acelerada tendem a puxar a categoria felina antes dos bairros de casas. Vale olhar o próprio raio de atendimento antes de definir quanto espaço dar para gatos.
3. Gato não é cão pequeno
Essa é a parte que mais gera erro de compra. As exigências nutricionais do felino são diferentes das do cão em pontos que não admitem substituição:
Taurina, aminoácido essencial para a espécie, ligado à saúde da visão e do coração
Controle do pH urinário e minerais balanceados, por causa da predisposição a problemas de trato urinário
Palatabilidade e formato de grão pensados para um animal seletivo por natureza
Fórmulas específicas para castrados, que representam parcela alta da população em ambiente urbano
Uma loja que oferece gato apenas como versão reduzida da linha de cães perde venda para quem oferece a fórmula certa, mesmo que o preço seja maior.
4. O que isso muda no mix da prateleira
Na prática, a categoria felina pede um desenho próprio de sortimento:
Embalagens menores com giro alto. O consumo diário de um gato é baixo, então pacotes de 1 kg a 3 kg funcionam como porta de entrada e como teste de aceitação.
Pacote grande para o tutor fiel. Quem já validou a marca migra para 10 kg em busca de custo por quilo menor. Faltar essa opção empurra o cliente para outra loja.
Segmentação por fase e condição. Castrado, filhote, paladar exigente e beleza da pelagem são recortes que o tutor já procura pelo nome.
Faixas de preço convivendo na mesma gôndola. Standard, premium e super premium atendem bolsos diferentes dentro do mesmo bairro.
5. O crescimento em população não vira faturamento sozinho
O setor pet fechou 2025 com faturamento de R$ 77,96 bilhões, alta de 3,56% sobre o ano anterior, e a projeção para 2026 é de R$ 81,24 bilhões. Em 2024 já havia ficado claro que o aumento no número de pets não se converte automaticamente em aumento proporcional de receita. AnimaldeestimacaoPetfood Forum Brasil
O setor pet fechou 2025 com faturamento de R$ 77,96 bilhões, alta de 3,56% sobre o ano anterior, e a projeção para 2026 é de R$ 81,24 bilhões. Em 2024 já havia ficado claro que o aumento no número de pets não se converte automaticamente em aumento proporcional de receita. AnimaldeestimacaoPetfood Forum Brasil
A leitura é direta: quem só amplia volume disputa preço. Quem amplia valor percebido, com sortimento correto, orientação no balcão e recompra previsível, é quem melhora margem. No caso dos gatos, a orientação no ponto de venda pesa ainda mais, porque o tutor felino costuma pesquisar antes de comprar e troca de marca com facilidade quando o animal recusa o alimento.
Como saber se a sua loja está acompanhando o movimento
A linha felina ocupa espaço proporcional ao perfil de moradia do seu bairro
Existe pelo menos uma opção de castrados em cada faixa de preço
Há embalagem pequena para experimentação e grande para recompra
A equipe sabe explicar por que a fórmula de gato é diferente da de cão
A ruptura de estoque na categoria é acompanhada com a mesma atenção dada aos cães
Conclusão
O avanço da população felina no Brasil não é sazonal nem passageiro. É consequência de mudanças urbanas e culturais que seguem em curso e que já se refletem no comportamento de compra. Para a indústria e para o varejo, a decisão não é se vale investir na categoria, e sim com que profundidade. Uma prateleira de gatos bem construída, com fórmulas específicas, embalagens adequadas e informação clara no balcão, deixou de ser diferencial e passou a ser condição básica de competitividade.
Referências
ABEMPET. Faturamento e População Pet no Mundo, 2026.
ABINPET; INSTITUTO PET BRASIL. Censo Pet, 2024.
JORNAL DO BRÁS. População de gatos chega a 33,3 milhões e cresce quase duas vezes mais que a de cães no Brasil, 2026.
PANORAMA PET&VET. Mercado felino consolida novo ciclo de crescimento no Brasil, 2026.
PETFOOD FORUM BRASIL. Censo pet: Brasil ultrapassa 164 milhões, com destaque para gatos e pequenos animais, 2025.